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O desemprego caiu. Mas o consumidor está comprando?

O Brasil registra um dos menores índices de desemprego da história. Então por que tantas empresas enfrentam dificuldades e o varejo continua sentindo a pressão?

Os números parecem contar uma história positiva.

O desemprego caiu para níveis historicamente baixos, milhões de brasileiros estão ocupados e o mercado formal continua criando vagas.

Mas basta olhar para o outro lado da economia para surgir uma aparente contradição: empresas fechando unidades, redes varejistas em dificuldades, pedidos de recuperação judicial, demissões e consumidores muito mais cautelosos antes de comprar.

Se há tanta gente trabalhando, por que o varejo não sente esse mesmo otimismo?

Talvez parte da resposta esteja na diferença entre estar ocupado e ter poder de compra.

Ocupado não significa necessariamente empregado formal

A taxa de desemprego responde a uma pergunta específica: quantas pessoas da força de trabalho estão sem ocupação, procurando trabalho e disponíveis para trabalhar.

Mas ela não mede se alguém perdeu renda, estabilidade ou qualidade de emprego.

E os próprios números do IBGE ajudam a enxergar essa diferença.

No primeiro trimestre de 2026, 37,3% da população ocupada brasileira estava na informalidade e 25,5% trabalhava por conta própria. A taxa de subutilização da força de trabalho era de 14,3%.

Isso não significa que os dados de desemprego estejam errados.

Significa que baixo desemprego e alto poder de compra são coisas diferentes.

Imagine, por exemplo, um profissional que tinha um emprego CLT e recebia R$ 8 mil por mês.

Ele é demitido e, algum tempo depois, passa a trabalhar como motorista de aplicativo, obtendo uma renda de R$ 4 mil mensais.

Ele voltou a estar ocupado.

Para o varejo, entretanto, aquele consumidor mudou profundamente.

Sua renda caiu pela metade. Provavelmente precisou rever prioridades, reduzir gastos, adiar compras e eliminar parte do consumo considerado não essencial.

Ele saiu da estatística do desemprego. Mas não voltou a ser o consumidor que era antes.

Mas como o desemprego pode cair enquanto vemos tantas demissões?

Porque o mercado de trabalho é um enorme fluxo de pessoas entrando e saindo de empregos todos os meses.

Só em maio de 2026 foram registradas 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos no mercado formal brasileiro.

Mais de 2,1 milhões de vínculos foram encerrados em um único mês.

Ainda assim, como houve mais admissões do que desligamentos, o saldo terminou positivo em 72.960 empregos formais.

É por isso que podemos assistir a grandes empresas anunciando demissões e, simultaneamente, ver o emprego nacional crescendo.

Além disso, os setores da economia não caminham na mesma direção.

No primeiro semestre de 2026, o país criou 921.645 postos formais. Serviços respondeu por 571.926 vagas, Construção por 168.962 e Indústria por 143.442.

O Comércio, porém, foi o único dos cinco grandes setores a apresentar saldo negativo no período, com redução de 3.514 postos.

Ou seja:

A economia pode estar criando empregos enquanto o varejo está sofrendo.

E para quem está atrás do balcão, é essa segunda realidade que aparece todos os dias.

O consumidor também está mais pressionado

Emprego é apenas uma parte da equação.

O consumidor precisa lidar com juros, endividamento, despesas essenciais e o efeito acumulado da inflação.

Em junho de 2026, o IPCA acumulava 4,64% em 12 meses.

E há um detalhe importante quando falamos de inflação: uma inflação menor não significa que os preços voltaram ao que eram antes.

Significa que, em média, estão aumentando em ritmo menor.

Se um produto custava R$ 100 e, depois de sucessivos aumentos, passou para R$ 130, a desaceleração da inflação não faz esse produto voltar automaticamente para R$ 100.

O novo ponto de partida continua sendo mais alto.

Por isso, pode existir uma distância enorme entre a percepção de quem lê que “a inflação está controlada” e a experiência de quem vai ao supermercado, paga condomínio, plano de saúde, escola, serviços ou precisa trocar de carro.

E o dinheiro do consumidor passou a ser disputado por muito mais coisas

Há ainda outra transformação importante.

O orçamento das famílias hoje é disputado por categorias que tinham pouco ou nenhum peso alguns anos atrás.

Streaming, aplicativos, delivery, marketplaces, games, assinaturas digitais, serviços online, apostas e outras formas de consumo passaram a competir com roupas, calçados, restaurantes, presentes, móveis e produtos para casa.

Portanto, não basta existir renda.

É preciso perguntar:

Quanto dessa renda ainda está disponível para o consumo discricionário?

Para o varejo, essa talvez seja uma informação muito mais importante do que simplesmente saber quantas pessoas estão ocupadas.

O consumidor mudou. O varejo também precisa mudar.

O empresário não consegue controlar juros, inflação, impostos ou decisões macroeconômicas.

Mas existe uma parte importante sobre a qual ele pode agir:

entender melhor o consumidor e aproveitar melhor cada oportunidade de venda.

E é justamente aí que dados e tecnologia passam a ter um papel estratégico.

Quantas pessoas passam pela sua loja — e quantas realmente entram?

A contagem de fluxo de pessoas permite saber quantas oportunidades de venda efetivamente chegaram ao estabelecimento.

Imagine que uma loja faturou 10% menos neste mês.

O que aconteceu?

Entraram 10% menos pessoas, mas a capacidade de transformar visitantes em compradores permaneceu igual?

Ou entrou praticamente a mesma quantidade de pessoas, mas menos clientes compraram?

Para o faturamento, o resultado pode parecer semelhante.

Para a gestão, são dois problemas completamente diferentes.

Combinando os dados de fluxo com as vendas, o varejista consegue acompanhar sua taxa de conversão e começar a identificar se precisa trabalhar atração, atendimento, preço, mix de produtos, estoque ou experiência de compra.

Heatmap e Hotzone: o que acontece depois que o consumidor entra?

Sistemas de Heatmap e Hotzone acrescentam uma nova camada de informação.

Eles ajudam a identificar onde existe maior circulação e permanência dentro do estabelecimento.

  • Onde os clientes param?
  • Quais áreas despertam maior interesse?
  • Existem espaços praticamente ignorados?
  • Uma mudança no layout fez o consumidor circular de maneira diferente?
  • A exposição de uma promoção conseguiu levar pessoas para determinada área?

Em vez de organizar a loja apenas com base em percepção, o varejista passa a observar o comportamento real do público.

Audiência: sua vitrine realmente chama atenção?

Outra possibilidade é analisar a audiência diante de vitrines, displays, produtos ou conteúdos digitais.

  • Quantas pessoas olharam?
  • Quanto tempo de atenção aquela comunicação conseguiu gerar?
  • Uma nova campanha aumentou o interesse?
  • Uma vitrine chama atenção, mas não consegue levar o consumidor para dentro da loja?

É uma aproximação entre o varejo físico e algo que o ambiente digital já faz há muito tempo:

medir o comportamento antes da compra.

E antes de entrar na loja? O consumidor precisa encontrá-la.

Existe ainda uma etapa anterior a todas essas: a descoberta.

Em centros comerciais, galerias e regiões com grande concentração de estabelecimentos, uma loja pode estar a poucos metros de um consumidor e ainda assim ser praticamente invisível para ele.

É justamente nessa etapa que entra o Go2Get.

A plataforma ajuda o consumidor a descobrir estabelecimentos, conhecer produtos e ofertas e encontrar o caminho até a loja física.

Assim, podemos começar a enxergar diferentes etapas da jornada:

  • Go2Get → descoberta e chegada
  • Contagem de fluxo → visitas e conversão
  • Heatmap/Hotzone → circulação e interesse
  • Audiência → atenção
  • Sistema de vendas → resultado

Em vez de olhar apenas para o faturamento no final do mês, o varejista começa a entender onde as oportunidades aparecem e onde estão sendo perdidas.

Menor desemprego não significa, necessariamente, maior consumidor

Os bons números do mercado de trabalho são relevantes e não precisam ser desconsiderados.

O problema surge quando tentamos utilizar um único indicador para explicar uma realidade muito mais complexa.

Uma pessoa pode estar ocupada e ganhar menos do que ganhava antes.

Pode estar formalmente empregada e altamente endividada.

Pode ter renda, mas possuir muito menos dinheiro disponível depois das despesas essenciais.

Pode ter trocado um emprego de maior remuneração por uma atividade de menor renda e, ainda assim, corretamente aparecer nas estatísticas como ocupada.

Por isso, talvez a pergunta mais importante para o varejo hoje não seja apenas:

“Quantas pessoas estão trabalhando?”

Mas sim:

“Quem é o consumidor que tenho hoje — e como posso conquistá-lo?”

Tecnologia não aumenta o poder de compra das pessoas.

Contagem de fluxo não reduz juros.

Heatmap não combate inflação.

Análise de audiência não diminui o endividamento das famílias.

E o Go2Get não resolve os problemas macroeconômicos do país.

Mas essas ferramentas podem ajudar o varejo a fazer algo que se torna cada vez mais importante quando o mercado aperta:

atrair melhor, medir melhor, compreender melhor e vender melhor.

Porque, quando há dinheiro sobrando e o mercado cresce, até decisões medianas podem produzir bons resultados.

Quando o consumidor está mais seletivo e cada venda precisa ser disputada, cada oportunidade perdida pesa.

E talvez seja justamente nesses momentos que conhecer quem passa, quem entra, quem olha, onde permanece, o que procura e quem compra deixe de ser apenas inteligência de varejo.

E passe a ser uma questão de competitividade — e, para alguns negócios, de sobrevivência.

3RCorp | Inteligência para o varejo físico
Go2Get | O digital que leva o cliente para o físico.

Referências

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